quarta-feira, 19 de março de 2014

Insana busca

Insana busca

Divago por entre lembranças 
dum amor que escuso, não morto e ainda  férvido.
E que por mistérios premidos em meu peito
jamais se calaram os bramidos dos meus pensamentos.
Por noites afora, em silêncio, ainda a chamo, gritando o seu nome.
Sem ter outro jeito, busco em outros braços, seu abraço
e em outros leitos, outros corpos, seu toque, seu beijo...

Ah! ainda bebo em sua fonte , 
que agora salobra só salga a minha alma.
A sede não sacio sem mais poder ter,
nem sentir, o seu cio.
Só, me desmorono e desaguo em choro.
Total me recolho à minha camarinha,
lhe ponho entrelinhas, 
lhe escondo em meu anverso,
 entre versos e em tudo que escrevo.
Divago por entre as mais cruas dores
dum amor retraído, ainda vivo, e em mim absorto.

Se pérfido e sem nexo é esse encontro, 
em outros corpos, tão louco...
Se  minha alma insiste em atrelar-se ao seu sexo, 
é justo encontrar-lhe em meus sonhos,
nos meus reais, plenos e desvairados gozos.

Beto Acioli
19/03/2014

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